quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Via Láctea (XII)

"Ora" - direis - "ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi no entanto
Que para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas pálido de espanto

E conversamos toda noite, enquanto
A via láctea, como um pálido aberto,
Cintila. E ao vir do sol saudoso e em pranto
Inda os procuro pelo céu deserto

Direis agora:"Translouco amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem quando estão contigo?

Eu vos direi:"Amai para entendê-las,
Pois só quem ama, pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas!"

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”
 
(Florbela Espanca)